12 Muralhas e suas montadas, 3 carrinhas, 3 condutores – a maior operação de logística alguma vez realizada – tudo com um objectivo: a travessia Montalegre Lobios, mais de 40 Km a descer.
Tudo começou por volta das 6h da madrugada, em frente ao Galileu concentraram-se os participantes deste desafio, após os cumprimentos e apresentação do novo Muralha – Hélio, bem vindo – deu-se início à chamada, primeiro os condutores:
-Nuno: presente; – Pedro: presente; – Nel: presente;
Depois os Muralhas:
-Belmiro: presente; -Herculano: presente; -Gilberto: presente; -Filipe Marinho: presente; -PJ Marinho: presente; -Hugo: presente; -Paulo Vieira: presente; -Manuel: presente; -Gil: presente; -Hélio: presente; – Zé Carlos: presente; -Carlos:……; -Carlos:…………;
Faltava o Carlos, após várias insistências, via telemóvel, ele atendeu – Estou mesmo a chegar. Tinha decidido vir de bicla de casa, só que na teoria parecia mais fácil…LOL
Todos presentes e demos inicio à curta viagem até à Trigueirinha para o pequeno-almoço. Como habitual, naquela local e aquela hora, tivemos a companhia das espécies noctívagas que também tomavam a primeira refeição a única diferença é que para nós era a primeira “do dia” e para os restantes a primeira “de dia”. 
Barriga composta, demos início à viagem até Montalegre. Para minimizar o tempo de espera durante a viagem a “Xerpa Team” arrancou à frente – uma má opção uma vez que, logo seguir às Cerdeirinhas, tivemos que abrandar o ritmo para que as restantes carrinhas conseguissem acompanharmo-nos. LOL
A viagem foi impecável, apesar de um Muralha da “Xerpa Team” mostrar-se bastante reticente com a capacidade da carinha chegar ao destino chegando mesma a ofende-la…
Chegados a Montalegre, seguimos para uma pequena aldeia que seria o nosso local de partida – fomos recebidos com alguma apreensão pelos locais pois nunca tinham visto tantos bettetistas de uma só vez. Mas como a Muralhada é bastante extrovertida a desconfiança inicial depressa se dissipou e deu lugar a uma empatia geral.
Todos devidamente equipados demos inicio ao desafio, começou mal, pois ainda não tínhamos aquecido os músculos e tivemos que fazer uma subida e que subida parecia que nunca mais acabava. Logo eu que depois de 2 meses em stand-by tive logo que enfrentar uma coisa daquelas. Como muito custo (e muitas queixas
) lá chegamos ao topo. A partir dai tudo ficou mais fácil, começamos a descer, a descida era pouco técnica o que permitiu à Muralhada gozar a velocidade, eu mantive-me na retaguarda para não me entusiasmar em demasia…
Estávamos a desfrutar da descida quando se deu o primeiro contratempo, próximo da localidade de Randim, a bicla do Carlos ficou com a roda traseira num oito (e não estou a exagerar), logo ele que afirmava ter passado toda a semana a preparar a sua menina para o evento, segundo ele ela estava “afinadinha” – mais alguns metros e ele tinha afinado era o chão…LOL
Apesar da basta experiência do Carlos em “Ingenharia” nada havia a fazer pois a bicla ficou mesmo em mau estado, a única coisa a fazer era tentar chegar a Tourém – ponto de passagem onde previamente tínhamos combinado com os motoristas para o caso de acontecer alguma eventualidade. Enquanto alguns Muralhas continuaram com o Carlos (em slow motion) os restantes aceleraram a pedalada para ir buscar uma carrinha para transportar Carlos e bicla.
Contratempo ultrapassado era hora de aproveitar a hospitalidade de Tourém no que toca, é claro, às minis… e que boas que estavam, fresquinhas. 
Abastecimento completo, hora de recomeçar a pedalar. Enquanto o Zé procurava qual o caminho a seguir o Belmiro não perdeu tempo e começou logo a negociar a compra de sacos de batatas com um vendedor da região, após alguns minutos de negociação lá chegaram a consenso – 5 Euros o saco, à escolha. Negócio feito, o Belmiro arrecadou 2 sacos de Batatas perante os olhares incrédulos da restante Muralhada. Ainda se ouviram mais algumas bocas interessadas em comprar mas no final só Belmiro concretizou o negócio – pelo que parece ainda teve um desconto de pronto pagamento… 
Assim e depois de toda aquela negociata retomamos o percurso, o calor apertava e as subidas continuavam, eu era um dos Muralhas que começava a dar sinais de fraqueza, mas lá ia continuando.
Estávamos a pedalar a um bom ritmo quando se deu o segundo contratempo, o Gilberto teve um furo na sua menina, apesar de ter câmara de gel foi necessário mudar a câmara – uma tarefa simples para os “Ingenheiros” de serviço…LOL
Contratempo resolvido, retomamos a aventura, o cansaço alastrava por alguns Muralhas – o Hélio denotava alguma dificuldade em continuar – nem com a paragem num riacho para refrescar e encher as garrafas a situação melhorou. Com alguma tristeza o Hélio foi obrigado a desistir pois a fadiga era tanta que era impossível continuar. Fruto da situação a Muralhada dividiu-se em 2 grupos, o Belmiro e o Gilberto ficaram com o Hélio e os restantes continuaram a viagem para ir buscar uma carinha para poder transporta-los. Se soubesse que ia ser assim duro também tinha ficado…fonix…estava a ver que não chegava a Lobios. Quem me salvou foi o Pedro – tinha tentado ir buscar o Belmiro e os restantes mas sem sucesso – avistei-o enquanto aliviava o meu sofrimento numa esplanada com uma Coca-Cola
e pedi-lhe boleia até Lobios. Os restantes Muralhas que me acompanhavam (na esplanada
) não aceitaram a boleia e seguiram de bicla até ao final – valentes. LOL
Chegados a Lobios eu e o Zé fomos nas carrinhas, com a ajuda dos GPS, buscar os 3 Muralhas que tinham ficado no caminho, chegados lá o Hélio já encontrava recuperado, talvez, com o pensamento nos morfes que se avizinhavam, o Belmiro rejubilava à sombra de uma arvore – mais parecia um alentejano à sombra de um chaparro. 
Retornamos a Lóbios onde os restantes Muralhas já estavam no restaurante a deliciarem-se com uma espécie de cerveja chamada S.Miguel, mas com álcool – que o diga o senhor dos panaches…LOL
Antes de juntarmo-nos a eles fomos dar uma banhoca – estava-se lá muito bem, mesmo muito bem…impecável.
Banhoca tomada fomos para o restaurante onde os restantes Muralhas já estavam a apreciar o repasto, mais parecia o Nacional Geografic – hienas de volta das suas presas…LOL
A partir dai foi o normal convívio entre a Muralhada, comida, bebida e muito conversa – a habitual cavaqueira que identifica os Muralhas BTT.
Uma vez que os sujeitos do restaurante não estavam nos melhores dias e como já estava a ficar tarde decidimos retornar a casa – Cidade Berço. Antes de arrancar, e uma vez que apesar das minhas insistências não colocaram a minha menina na carrinha correcta, teve que explicar pormenorizadamente e exaustivamente as implicações de levar a minha bicla e quais os cuidados a ter durante a condução
.
Lá arrancamos, tudo corria lindamente quando o velho do Restelo, ou seja, o Muralha que já na primeira viagem tinha criticado efusivamente a carrinha voltou à carga na viagem de regresso, ainda mais que desta vez tinha a ajuda da S. Miguel. Reafirmava que a carrinha não ia conseguir fazer a viagem toda e lá se descaiu que tinha dois prognósticos para este passeio, o primeiro que a bicla dele não ia conseguir aguentar toda a viagem, o segundo que a Xerpa não ia resistir à viagem completa. Como o primeiro se concretizou ele aguardava efusivamente que o segundo também se concretizasse – é velhinha mas eficiente – espero que tenha aprendido a lição.
Uma vez que a viagem de Lobios até ao Gerês foi muito desgastante foi decisão, por unanimidade, parar para beber antes de começar a subir para as Cerdeirinhas, e assim foi, acomodamo-nos numa esplanada e enquanto a maior parte escolheu beber houve um Muralha que decidiu chupar, um gelado, é claro, lol, no decorrer da nossa estada naquela local ficamos ainda a saber que a Berta também trabalhava naquele café…
.
O problema foi na altura de vir embora pois alguns Muralhas tinham mesmo intenção de lá ficar.
Arrancamos, novamente, em direcção a Guimarães, breve paragem para deixar o Herculano em casa (foi esquisito ir a casa do Herculano sem morfar nada…LOL) e chegamos onde começamos – café Galileu – o relógio marcava 19:45.
Para a história fica um dia espectacular de convívio e um percurso que afinal não tinha 40km a descer…
Resta agradecer aos condutores porque sem eles este passeio não se tinha realizado.
Caro Pedro, Nuno e Nel – em nome de toda a Muralhada, obrigado.